quinta-feira, 9 de setembro de 2021

O paradoxo da desobediência.



 O presidente Bolsonaro afirmou que não cumprirá ordens do STF. A rota de colisão está traçada. Historicamente, a desobediência civil é  uma arma de protesto eficaz, de Thoreau a Gandhi. Representa uma insubordinação de grupos contra um sistema que julgam opressivo, como as leis sobre o sal na Índia. O problema da violação da hierarquia (ou quebra da cadeia de comando) é mais agudo se o autor fizer parte do  sistema de poder. Em outras palavras, o presidente só tem força porque a lei assim o determina. Se ele ignorar a lei, nada impede que todos o desobedeçam. Como ter comando no nível do Executivo Federal e questionar o poder em si? Em outras palavras: a Constituição garante a cadeira de Bolsonaro. Se for ignorada, ele será uma vítima necessária imediata. O texto constitucional protege os Três Poderes com pesos e contrapesos. Um anarquista pode gritar contra o STF, o Congresso e o Planalto, faz parte do seu ideário. Um presidente comete haraquiri político se o fizer... Dilema de lenhador:  quanto eu posso serrar o galho institucional sem cair junto? Para vocês, qual seria a solução boa para o país?

Texto: Leandro Karnal 

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