domingo, 15 de janeiro de 2012

Paulo Bomfim.

OS DIAS MORTOS




Os dias mortos, sim, onde enterrá-los?

Que solo se abrirá para acolhê-los

Com seus pés indecisos, seus cabelos,

Seu galope de sôfregos cavalos!







Os dias mortos, sim, onde guardá-los?

Em que ossário reter seus pesadelos,

Seu tecido rompido de novelos,

Seus fios graves, relva além dos valos.



Tempo desintegrado, tempo solto,

Fátuo fogo de febre e de fuligem,

Canteiro de sereia em mar revolto.



Em nossa carne, sim, em nossos portos,

Quando o fim regressar à própria origem,

Repousarão também os dias mortos!

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