domingo, 14 de fevereiro de 2010

Arruda passa o carnaval na cadeia e Fraga sai em sua defesa


Alberto Fraga


O secretário de Transportes do governo do Distrito Federal, deputado Alberto Fraga (DEM-DF), disse nesta sexta-feira (12) que o governador licenciado José Roberto Arruda (ex-DEM) está bastante abatido e incomodado pelo fato de até agora não ter sido ouvido pela Polícia Federal sobre a acusação de que teria tentado coagir testemunhas e obstruir da Justiça. "Não conheço prisão sem o contraditório.

"Isso é um absurdo", criticou Fraga ao deixar a Superintendência da PF, onde visitou o governador afastado.

Arruda está detido em uma sala reservada com sofá, banheiro privativo e TV. Além de um policial que o acompanha.

Fraga afirmou que a visita a Arruda teria sido para conversar sobre uma reunião que os deputados distritais tiveram na manhã desta sexta-feira (12/1). Os dois não conversaram sobre uma eventual renúncia ao cargo. “Para que renunciar, se ele já está preso?”, disse Fraga.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, não aceitou o pedido de habeas-corpus feito pelos advogados de defesa do governador afastado, Nélio Machado e José Gerardo Grossi. O deputado contou que relatou a Arruda que a imprensa já estaria noticiando a decisão de Aurélio. Conforme Fraga, ele teria ficado mais abalado ainda ao saber que irá passar o carnaval preso.

Sobre Paulo Octávio (DEM-DF), governador em exercício, Fraga disse que já era previsto que ele seria o próximo alvo. Ele também criticou o pedido da executiva nacional do Democratas, para que todos os filiados deixem seus cargos políticos no governo do DF. Para ele, ainda é preciso análise do partido sobre a questão. “O Paulo Octávio é do DEM e não pode perder o cargo, porque assumiu o governo”, concluiu.

Ele questionou o pedido de intervenção federal no governo do DF apresentado ontem pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. "A quem interessa isso?", disse, criticando a justificativa apresentada pelo procurador para pedir a intervenção. "É uma peça muito fraca". Segundo ele, "não se pode partir da premissa de que o Distrito Federal não tem condições de tocar a sua própria vida. Isso é coisa de oportunista de plantão".

Segundo o secretário, uma eventual intervenção abre um precedente perigoso para a autonomia política do Distrito Federal. "Amanhã vão querer extinguir a Assembleia Distrital e a representação política do Distrito Federal. Isso aqui não é Venezuela, não", afirmou.

Além do governador Arruda, o pedido de prisão preventiva atingiu outros cinco suspeitos. Destes, um ainda é procurado pela Polícia Federal: o ex-deputado Geraldo Naves. Haroaldo Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB), se entregou por volta do meio-dia na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e o ex-secretário de Comunicação do governador, Wellington Moraes, se entregou à tarde. Também foi decretada a prisão de Antônio Bento, conselheiro do metrô do DF, preso em flagrante pela Polícia Federal há duas semanas, quando entregava R$ 200 mil ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra. O sobrinho e ex-secretário particular de Arruda, Rodrigo Arantes, se apresentou à PF ontem à noite.

Quem é Alberto Fraga

No ano passado, Fraga esteve envolvido em um esquema de contratação ilegal de uma secretária parlamentar que, na verdade, prestava serviços de empregada doméstica em sua residência desde 2003 e recebia R$ 480 por mês pagos pela verba pública. Ao tentar buscar argumentos para explicar o inexplicável, o secretário se enrolou nas palavras: “Ela faz serviço no meu gabinete, paga contas, serve cafezinho. É uma empregada que presta serviços domésticos. Perdão. Que presta serviços externos e... Agora realmente ficou complicado de explicar”, finalizou.

Conhecido por se envolver em diversas polêmicas, as história de Fraga não param por aí. No final de 2009, após a denúncia do empresário do setor de transporte, Walmir Amaral, Fraga afirmou que sabia de um esquema de pagamento de propina a deputados da Câmara Legislativa para aprovar a Lei do Passe Livre com uma emenda que estendesse o benefício a deficientes.

No depoimento, Amaral contou que no meio deste ano foi procurado pelo dono da Viplan, Wagner Canhedo, para entrar com R$ 170 mil no esquema. O dinheiro seria para que os deputados aprovassem uma emenda estendendo o passe livre aos deficientes. De acordo com Amaral, o custo seria de R$ 1 milhão para alterar a lei e mais R$ 600 mil para derrubar o veto do governador José Roberto Arruda (sem partido).

Uma conversa gravada pelo ex-secretário de Relações Institucional, Durval Barbosa, que detonou o escândalo do mensalão do DEM de Brasília, mostra um dos supostos envolvidos no caso da propina da Lei do Passe Livre.

O deputado distrital Benício Tavares (PMDB), que segundo Amaral teria recebido dinheiro, comenta com o ex-secretário que o esquema era comandando pelo presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM).No vídeo, Durval cita uma conversa que o secretário de Transportes, Alberto Fraga, teria mantido com Wagner Canhedo, que ele chama de velho.

“Inclusive, ele falou com o velho. O velho teve numa audiência com ele e ele falou o seguinte: ‘Pô, vocês antes de falar comigo, sem falar comigo vocês vão lá e cacifam o deputado! Vocês têm que falar comigo que a gente vai junto! Eu estou fora dessas coisas. Entendeu? Entendeu o raciocínio?”, afirma o ex-secretário na gravação.

Porém, Fraga negou a conversa tenha acontecido, mas afirmou que sabia do esquema. Ele disse ter denunciado o caso a alguns jornalistas na época e justificou não ter revelado o esquema publicamente antes por não ter provas. A emenda ampliando o benefício do Passe Livre para os deficientes iria triplicar os gastos do GDF com o transporte gratuito.

“Desde o início, quando esse assunto surgiu, eu recebi a notícia de que havia esse pagamento. Eu disse aos empresários, numa reunião com todos os empresários, que eles iriam perder dinheiro, porque eu não iria aceitar aquela emenda”, garante Fraga.

Dias antes, uma nova Lei do Passe Livre foi aprovada pelos deputados distritais, desta vez sem incluir os deficientes. O governo teve que mandar um projeto à Câmara, depois que o Ministério Público questionou a lei alegando que só o Executivo poderia apresentar propostas que aumentassem os custos para o GDF.

Na época, a assessoria do deputado Leonardo Prudente informou que ele não assinou a emenda, que foi apresentada por vários deputados. Benício Tavares negou ter recebido dinheiro. Wagner Canhedo não foi encontrado para comentar a denúncia.

Tenente-Coronel reformado da Polícia Militar do DF, Alberto Fraga disputou as eleições de 1998 para deputado federal pelo PMDB, mas conseguiu apenas a suplência. Já em 2002, foi eleito com 27.939 votos e reeleito em 2006 com 95.514 votos, pelo então PFL. Aualmente filiado do Dem, atualmente encontra-se licenciado do cargo de deputado, pois assumiu o cargo de Secretário de Transportes do Distrito Federal.

Nenhum comentário:

Lei Estadual 8.878/2019 trata sobre a regularização fundiária de imóveis urbanos e rurais do Estado.

Representantes de entidades da sociedade civil paraense e do Ministério Público Federal (MPF) participaram, na manhã ontem terça-feira (8), ...