sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Alencar pode entrar na briga pelo governo de Minas Gerais.

Um novo cenário surge em meio às especulações sobre o processo sucessório em Minas Gerais. A possibilidade de o vice-presidente José Alencar (PRB) ser candidato ao Palácio da Liberdade, com o apoio do PT e do PMDB, começa a ser considerada como uma solução para o impasse mineiro da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PT se encontra dividido entre as pré-candidaturas do ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. E de outro lado, o PMDB apresenta como pré-candidato o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Diante desse quadro, a candidatura de Alencar seria uma forma de unir a base aliada de Lula no Estado em torno de um nome que não enfrenta resistências e é capaz de fornecer um palanque forte para a candidata governista à Presidência, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Informações de bastidores dão conta de que a possibilidade já estaria sendo discutida em Brasília, com o aval de Lula e do grupo que quer evitar a prévia petista. O presidente do PT de Minas, deputado federal, Reginaldo Lopes, afirmou, ontem, que o vice-presidente terá o apoio do partido qualquer que seja o caminho escolhido. Ele também admitiu que a entrada de Alencar na disputa pelo Palácio da Liberdade mudaria o quadro da sucessão em Minas. "É claro que o cenário muda todo", considerou.

Ontem, o prefeito de Coronel Fabriciano e ex-vice-presidente do PT de Minas, Chico Simões, afirmou que chegou a sugerir a candidatura de Alencar ao secretário geral da Presidência, o mineiro Luiz Dulci, em evento realizado na capital, na última sexta-feira. "Ele ouviu a sugestão e disse que era preciso conversar. Mas não se mostrou surpreso", explicou. Chico Simões também disse que conversou ontem por telefone com José Alencar. "Foi uma conversa rápida. Ele disse que estava fazendo uns exames, mas pediu para marcamos um reunião para a próxima semana, entre 2 e 5 de fevereiro", declarou.

Nos bastidores, a composição ensaiada teria como vice de Alencar o ministro Patrus Ananias e Hélio Costa concorreria ao Senado. Já Fernando Pimentel ficaria por conta da coordenação de campanha de Dilma.

Questionado sobre a aceitação dessa proposta pelos pré-candidatos petistas, Simões, que é ligado ao grupo do ministro de Desenvolvimento Social, lembrou que Patrus já havia admitido abrir mão de qualquer candidatura em favor de Alencar.

Chico Simões avaliou ainda que não deverá haver resistências do grupo ligado a Fernando Pimentel. "Se o presidente do PT quer que Alencar seja militante honorário do PT, por que não homenageá-lo de uma forma concreta e justa com uma candidatura em Minas para unificar a base aliada de Lula no Estado?", questionou.

Mudanças

O ministro Patrus Ananias disse anteontem, em Belo Horizonte, que "reconsideraria a posição de pré-candidato" se o vice-presidente, José Alencar, concorresse ao Palácio da Liberdade.

Apesar de o presidente do PT de Minas, Reginaldo Lopes, reconhecer que uma candidatura do vice-presidente, José Alencar, ao governo de Minas não sofreria questionamentos pelo partido, ele afirma que a composição da chapa teria que ser discutida.

Para o dirigente petista, que é aliado do ex-prefeito Fernando Pimentel, a definição das outras vagas na possível chapa encabeçada por Alencar – de vice, para o ministro Patrus Ananias, e ao Senado, para Hélio Costa – não é uma realidade. “Uma coisa é José Alencar resolver ser candidato. Outra coisa são as composições das vagas. Aí quem decide são os partidos”, destacou.


Na proposta que estaria sendo discutida em Brasília, Pimentel não participaria da chapa e ficaria por conta da coordenação de campanha da ministra Dilma Rousseff. Pimentel já havia dito, anteriormente, que teria interesse somente na disputa pelo Palácio da Liberdade.

Já o presidente do PMDB, Antônio Andrade, prefere esperar mais um pouco para se posicionar sobre a possível candidatura de Alencar. “Eu estive com o vice-presidente há cerca de um mês, junto com o ministro Hélio Costa, quando ele afirmou que não quer nenhum cargo no Executivo. Prefiro ficar com o que ele me disse”, afirmou Andrade.

As especulações sobre a candidatura de José Alencar ao governo de Minas ganharam força exatamente na semana em que ele se submete a exames que vão apontar se terá condições de saúde para se candidatar nas eleições de outubro. Os procedimentos serão realizados a partir de hoje, em São Paulo.

Alencar já manifestou o desejo de participar ativamente do cenário político neste ano se estiver em boas condições. Ele chegou a dizer que “tem o dever de se candidatar” se os médicos o liberarem.

No entanto, até o momento, o vice-presidente se referiu apenas à possibilidade de se candidatar a uma das duas cadeiras para o Senado por Minas Gerais. Até agora, pelo menos publicamente, José Alencar não manifestou o desejo de concorrer ao Palácio da Liberdade. (RG)

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