segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Empresas de deputados da lista do caixa 2 ganharam contratos no DF.


O "mensalão do DEM" em Brasília vai além de pagamentos mensais a deputados aliados do governador José Roberto Arruda (DEM). Há indícios de que empresas de parlamentares, que constam da contabilidade clandestina da campanha de 2006, abasteceram o caixa 2 de Arruda em troca de contratos, alguns sem licitação, com o governo do Distrito Federal. Na planilha da arrecadação ilícita, revelada ontem pelo Estado, há relação de empresas que teriam contribuído com o caixa 2 de Arruda.
O documento escrito pelo presidente do PSDB-DF, Márcio Machado, menciona, por exemplo, R$ 650 mil doados pela Fiança, do ramo de terceirização de mão de obra de segurança e serviços gerais. A Fiança, que pertence aos pais do deputado Cristiano Araújo (PTB), não aparece na prestação de contas oficial da campanha de Arruda. A empresa recebeu, desde 2007, R$ 240 milhões do governo do DF, sendo que ao menos R$ 60 milhões são oriundos de contratos sem licitação, segundo levantamento feito ontem, a pedido do Estado, pela assessoria do deputado distrital Chico Leite (PT) no sistema de despesas do governo.
A planilha do caixa 2 da campanha de Arruda traz ainda duas empresas ligadas à deputada Eliana Pedrosa, secretária de Desenvolvimento Social do governo: a Dinâmica e a Esparta.
O nome Dinâmica, de acordo com o manuscrito de 2006, é mencionado com o valor de R$ 100 mil ao lado. Uma empresa com o mesmo nome, que tem uma irmã de Eliana Pedrosa como dona, fechou contrato para cuidar do metrô de Brasília. E obteve do governo Arruda, em 2008, a prorrogação de um contrato no valor de R$ 7 milhões.
A empresa já recebeu R$ 20 milhões desde 2007 por esse serviço. Do começo da gestão Arruda até hoje, R$ 67 milhões foram liberados para a Dinâmica em todos os contratos.
A Esparta é do filho de Eliana, André Pedrosa, e atua no ramo de segurança. Segundo a contabilidade informal da campanha de Arruda, teria ajudado com R$ 50 mil na eleição.
Essa planilha de caixa 2 foi esquecida por Márcio Machado - ex-secretário de Obras de Arruda - numa emissora de TV em janeiro de 2007 e foi parar nas mãos do Ministério Público. Obtida pelo Estado, o manuscrito teve sua autenticidade reconhecida por Machado.
A Esparta acaba de fechar um contrato emergencial, sem licitação, com o governo do Distrito Federal. Uma nota de empenho de R$ 4,8 milhões foi emitida no dia 29 de outubro com a menção "dispensa de licitação" no documento. Uma semana depois, R$ 1,3 milhão foram depositados na conta da empresa.
O governo do DF também abriu mão de concorrência para contratar em 2007 a empresa 5 Estrelas Sistema de Segurança Ltda. Ela pertence aos filhos do deputado Leonardo Prudente, que ficou nacionalmente conhecido ao ser flagrado colocando dinheiro nas meias, depois de encher os bolsos, durante encontro com Durval Barbosa, ex-diretor de Relações Institucionais e colaborador da PF nas investigações. A empresa dos filhos do deputado tem recebido cerca de R$ 2 milhões por ano do governo. Após a divulgação do vídeo, Prudente se afastou do cargo de presidente da Câmara Distrital.

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