quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A credibilidade do político moderno.

Há anos a profissão de político supera todas as demais em matéria de credibilidade perante a sociedade civil. Mas afinal, o que se pode extrair desta grave constatação?
O voto direto é uma conquista democrática. Portanto isso significa dizer que o político eleito é aquele quem oferece o melhor plano de governo ou credibilidade junto ao eleitor. Está sendo cada vez mais comum que figuras públicas se aventurarem no campo, uma vez que sua fama favorece a criação de uma rede cativa de eleitores. Daí o interesse de partidos políticos abrirem suas portas, de olho na força que suas ideologias ganham quando vinculadas com pessoas famosas.
Mas mesmo após mais de duas décadas de redemocratização a desconfiança permanece. Ou até cresce, dependendo do caso. E por que isso ocorre? Porque é mais cômodo generalizar às críticas a todos que pretendem se candidatar do que tentar uma maça que não esteja podre no cesto. O melhor protesto é o que se vê na contagem de votos em uma eleição. Mais do que um cartaz ou uma passeata, ao dizer “não” a um candidato corrupto a população passa um recado claro aos outros.
Agora convém também refletir sobre a origem dessas críticas à classe como um todo. Quantos de nós podem se orgulhar de serem honestos o tempo inteiro? E até que ponto a ética é clara a ponto de poder se criticar alguém? Os partidos de oposição recentemente ameaçaram parar as votações pendentes no senado como protesto pela absolvição do presidente do senado Renan Calheiros. Como classificar esta postura? Por um lado o objetivo é nobre: tentar moralizar o congresso (supondo que as provas sejam suficientes). Agora como se avaliar o meio escolhido? Um senador pode fazer “greve” para sua função com base no desejo de punir um colega? Será que o país pode se dar ao luxo de parar votações importantes (como a reforma política e tributária) para discutir a honestidade de uma pessoa?
A credibilidade de uma pessoa é conquistada ao longo do tempo, podendo ser ampliada ou reduzida. É assim com colegas e amigos que se mostram indignos de confiança e não é diferente com os políticos. Ao invés de ficarmos sentados e desacreditados de uma mudança no cenário atual, o melhor a se fazer é manter viva a memória de episódios marcantes na carreira do candidato. E isso significa ir além do período que antecede as eleições, pois é aí que cada candidato vai procurar disfarçar o que tenha feito anteriormente.
Em resumo, um deputado ou um prefeito são pessoas como qualquer outra. Não existe uma regra que imponha que apenas pessoas desonestas podem se candidatar a cargos públicos. A questão é saber identificar aqueles que procuram criar subterfúgios para seus atos mais tempo do que criam projetos para os quais foram eleitos. Com certeza ninguém terá consigo uma bola de cristal para adivinhar quem são essas pessoas, mas a credibilidade de uma pessoa é o que permite que um voto de confiança lhe seja dado. Procure se assegurar apenas de não entregar seu voto a quem já tenha se mostrado indigno de tê-lo, em detrimento de quem ainda não tenha tido chance de mostrar seu valor. É pelo exemplo que os protestos ganham sua maior força.

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